sábado, agosto 19, 2006

O Estado come mais 5,5 por cento...

Segundo os dados de execução orçamental divulgados pela Direcção-Geral do Orçamento, o défice do Estado aumentou 5,5 por cento até Julho, face ao período do ano anterior, totalizando 4,3 milhões de euros.
Algum espanto? Não! Só se poderiam espantar os poucos ingénuos que ainda acreditam em promessas eleitorais. Nessas mesmas que asseguram o não aumento dos impostos, sendo logo desmentidas por uma das primeiras medidas do governo, escudados por mil desculpas e razões de peso... pois claro! Como se não soubessem disso de ante-mão.
O nosso espanto, contudo, recái no motivo que leva tantas pessoas (mesmo descrentes e descontentes com estes politicos) a votar sempre nesses partidos.
Andam distraídos? Ainda têm alguma réstia de esperança neles? Gostam assim tanto de ser politicamente-correctas, a ponto de sacrificarem todo o resto? Ou gostam de sofrer, de fazer sacrifícios enquanto vêem, por exemplo, os bancos a engordarem desalmadamente à custa do endividamento das famílias?
É que além dos bancos, que se governam a si mesmos, também o próprio Estado (o que é bem mais grave!) se governa a si mesmo! Não é exclusivo e culpa única deste governo, nem do anterior. É de todos os governos, sucessivamente! Apesar de se criticarem “amargamente” entre si - num verdadeiro hino à hipocrisia - quando passam de governo a oposição, a verdade é que os partidos sentados na Assembleia da República – todos eles, poder! – comem na mesa do orçamento e sugam a Nação até ao limite.


O PNR, desde sempre, tem alertado para este estado de coisas: um Estado que não governa, antes, que se governa e desgoverna a Nação.
O problema não é, como dizíamos, do Governo Sócrates. É do próprio sistema! É deste sistema da destruição nacional. É deste sistema que enraizou profundamente nos seus detentores a mentalidade de "servir-se enquanto é tempo" (vulgo, saquear) em vez de servir. É deste sistema que enraizou, também, uma atitude de passividade e encolher de ombros numa boa parte do povo...
A política, em si mesma, não é má, nem o Estado é mau. A política que esteja, através do Estado, ao serviço da Nação, só pode ser boa e desejável. Mas um Estado, composto por políticos cuja mentalidade é governarem-se a si mesmos deixando o país à deriva e hipotecando o futuro das gerações vindouras e da Nação, não serve!
Já há largos anos que os próprios reconhecem que há um evidente divórcio entre o país real e a classe política (medíocre, mesmo muito medíocre!). Há largos anos que estes reconhecem que o Estado é gordo, balofo e macro-céfalo. Eles sabem-no, pois está cheio de boys, amigos, clientes... Aliás acusam-se entre si – quando se encontram no papel de opositores – de nada fazerem no sentido de remedearem a situação.
Ora, um diagnóstico por demais conhecido deveria ser suficiente para implementar medidas e claras intenções de correcção, nem que fosse por um mínimo de vergonha. Mas não! Tudo, não passa de palavras vãs para iludirem o povo...
Na verdade, se o Estado continua a engordar é porque estes políticos gostam de se tratar bem. Como não ganham vergonha, cresce a falta dela e o total despudor perante as mordomias e tropelias.
O Governo (mais uma vez) pediu sacrifícios aos portugueses e, no entanto, esses mesmos sacrifícios não foram aplicados ao próprio Estado.
Exigir aos outros é muito mais fácil do que exigir a nós mesmo, não é verdade, senhores governantes?
O Estado, mais uma vez, não dá o exemplo. E não é só uma questão de exemplo. É uma questão de princípio e de respeito pelo povo que (embora mal) os elegeu para governar. Mas, para além disso e sobretudo, é uma questão de responsabilidade! Os governantes são responsáveis perante toda uma Nação: pelo seu presente e pelo futuro que preparam!
Mas princípios e respeito é algo que não podemos esperar destes políticos e das suas políticas, mesmo daqueles que agora criticam, pois quando estão no Governo, fazem o mesmo.
Esperemos pois, que nas Legislativas de 2009 haja claros sinais de vontade de mudar... Mudar para a verdadeira alternativa ao sistema de destruição nacional, através do voto expressivo no PNR.

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